Ideologia e Fundação a Aug.’. Resp.’. Loj.’. Simb.’. União Fraternal II
Transcrito do Original (Ir.’. Sergio Loma)

“Em 15 de maio de 1987.”
Unidos pelo mesmo ideal de amor, paz e fraternidade e a fim de contribuir com a Maçonaria, com uma participação ativa e desprendida, proporcionando aquele espirito de paz e concórdia que sempre norteou e que constitui o seu objetivo fundamental, é que um grupo de Irmãos maçons com ideias afins, entenderam que o lastreamento do ideal maçônico de Catanduva, era premente necessidade.
Inspirados pelo espírito da criação, da família, vislumbrando a mãe que cria seus filhos para o mundo, e a Loja Maçônica Dr. Carlos Reis nº 29, assim procedeu; deu de sí, passou bons princípios, colocou-nos na retidão; contudo, a partida era inevitável – os filhos devem continuar os seus ensinamentos, os seus projetos, dentro do principio – “SEDE FECUNDOS, MULTIPLICAI-VOS”.
Para isso, e para a necessária construção de novos templos à virtude, é forçoso contar com a retirada de alguns Irmãos. Assim como as arvores toleram a poda, é necessário suportar a separação.
Em vários casos os destinos são comparados às estradas, que se bifurcam para atender os desígnios do progresso.
Todavia, nós, que somos adeptos da arte real, abraçamos nossos ideais, agindo com a força de caráter, beleza moral, e direcionamo-nos para a causa maçônica.
Éramos 4
Os Irs. Alaor Varoto, Cláudio Carpi, Hélio Pelegrino e Sergio Loma, levados por uma estranha indução, pensam ao mesmo tempo – o mesmo – “VAMOS FUNDAR UMA LOJA MAÇÔNICA”.
Quase que falando em códigos, com o receio de más interpretações, demos um ao outro o sinal de avançar.
Éramos 5
Nesse dia, na saída dos trabalhos da Loja, comunicamos ao Ir. Alair Varoto a nossa intensão, que de pronto comungou com a ideia.
Dirigimo-nos, Alaor, Claudio, Hélio Pelegrino e Loma até a Pizzaria da Sogra afim de coordenar o plano de ação.
Fizemos uma autocrítica para avaliarmos nossas possibilidades e as razões reais que nos levaram a essa decisão.
“No dia 22 de maio de 1987.”
Com a palavra na sessão da Loja Maçônica Dr. Carlos Reis, o Ir. Loma, explanou: “Eu e um grupo de Irs. Estamos entendendo que a Loja Maçônica Dr. Carlos Reis é uma arvore frondosa, cheia de frutos, e frutos bons. Ocorre que esses frutos necessitam ser colhidos e desenvolvidos, senão correm o risco de se estragarem. Estamos nos sentido na barriga da mãe, e ela terá que dar a luz. Em razão disso, por ser próprio da natureza, imbuídos dos melhores propósitos, num futuro próximo, estaremos fundando em Catanduva, uma nova Loja Maçônica; portanto, não gostaríamos que houvesse nenhum tipo de constrangimento, pois teremos que solicitar de uma só vez o nosso Quite Placet. Estamos saindo como filhos da Carlos Reis, o que não é fácil o termo “sair da Carlos Reis”.
Éramos 6
No andamento da sessão, após o anuncio, nosso Ir. Diomar Manfin tomado por desenfreada perplexidade, passou a ficar inquieto na cadeira, numa clara demonstração de aceitação. Usando uma comunicação em códigos o Ir. Alaor dez chegar até os Irs. Loma e Hélio Pelegrino uma proposta, que ali mesmo, no correr dos trabalhos, foi com muita alegria aprovado.
“No dia 26 de maio de 1987.”
O Ir. Loma, nessa ocasião exercia suas funções profissionais na cidade de Diadema. Dirigindo-se ao Palácio Maçônico, em São Paulo, e representando os Irs. Fundadores, até então Alaor Varoto, Cláudio Carpi, Diomar Manfrim, Hélio Pelegrino e Sergio Loma, explanou ao Grão Mestre, Ir. Orfheu Paraventi Sobrinho, os motivos, os reais interesses, bem como a finalidade e a necessidade da fundação de mais uma Loja Maçônica em Catanduva, oportunidade em que foi solicitado a autorização verbal para tanto. As 16:00 horas desse dia o Grão Mestre, demonstrando indescritível alegria, a par de autorizar a fundação, informou que o numero seria o “314”.
De volta ao escritório em Diadema, o Ir. Loma não conteve a espera e, via telefone fez chegar ao Ir. Hélio Pelegrino o numero da loja, 314. No momento em que o Ir. Helinho recebeu a confirmação da autorização e do numero da Loja, atendia em seu consultório a cunhada Eli, esposa do Ir. Hélio José Lopes, que disse que nosso Ir. tinha desejos de novos progressos.
Éramos 7
Os Irs. Alaor e Hélio Pelegrino, entendendo a dificuldade momentânea em que a família do Ir. Hélio Lopes, com reflexos na Loja Carlos Reis, com irreversível conciliação a curto prazo, convidaram o Ir. A integrar o quadro da nova Loja, que aceitou incontinenti e sem reservas.
Éramos 8
Nosso Ir. Cláudio participa ao Ir. Luiz Carlos Altem sobre o evento, cuja aceitação foi comprovada. Os Irs. em Catanduva, sem nenhuma perda de tempo, já no dia 19 de maio haviam solicitado por empréstimo o Templo da Loja Maçônica Deus, Pátria e Amor nº 8, de Pindorama, e já no dia 20 de maio, através da Pr.’. nº 083/86/87, contávamos com o empréstimo da Loja.
Por que a Loja Deus, Pátria e Amor, em Pindorama?
Porque tínhamos a intenção de continuar nos reunindo às sextas-feiras e para que não ocorressem ideias mal formadas com relação a uma possível concorrência e nos reuníssemos em outro dia da semana.
Éramos 9
O Ir. Loma dirigiu-se ao estabelecimento comercial do Ir. José Lustro, já com o conhecimento de que o Ir. estava quitado com a ordem, originário da Loja Restauradora nº 111, oficializando lhe o convite para integrar a nova Loja, o que foi prontamente aceito.
“Uma Triste Realidade”
Agora estávamos com a alavanca, um quadro e o nº 314; esta alavanca regular, libera e canaliza nossas forças, e nada, mas nada mesmo, vai empanar nosso brilho, nem mesmo a atitude isolada de um “insignificante grupo”.
“Bem que tentaram…”
Através de atitudes grosseiras, passaram a zombar do nosso empreendimento, apelidado a nossa Loja de “Bazar”, “Loja União e Fantasia”, “Loja Luz nas Trevas”, e outros…
Foi rotulado pejorativamente cada membro da nova Loja.
“No dia 29 de maio de 1987.”
No consultório dentário do Ir Hélio Pelegrino, às 16:00 horas, reunidos os Irs. Alair Varoto, Alaor Varoto, Cláudio Carpi, Diomar Manfrim, Hélio Lopes, Hélio Pelegrino, José Lustro, Luiz Carlos Altem e Sergio Loma, que, seguindo à risca a ritualística da fundação de Loja, consumaram o ato com toda a formalidade, que após uma corrente união, pensamento firme, crença em nossa força, o Ir. Loma dirigiu uma prece ao Grande Arquiteto do Universo, para que, por um acréscimo de bondade, consolidasse em nossos corações os sentimentos de fraternidade, virtude e glória que coroarão nossa felicidade.
Nesse dia, o Ir. Hélio Pelegrino apresentou vários nomes para nossa Loja, e por unanimidade, foi escolhido: “UNIÃO FRATERNAL Nº 314” – nome escolhido em virtude da até então perfeita e coesa união entre os Irmãos fundadores e que nada – mas nada – fará o contrário.
A seguir o Ir. Hélio Pelegrino apresentou cópia do dístico, bem como as cores a serem adotadas, que foi aprovada por unanimidade. A AUGUSTA E RESPEITÁVEL LOJA MAÇÔNICA UNIÃO FRATERNAL Nº 314, era uma realidade.
Dirigindo os trabalhos, o Ir. Diomar, o mais antigo da maçonaria, solicitou que se procedesse à escolha da nova administração. Usando-se o critério de aptidões, com base no curriculum maçônico de cada um, seguiu-se uma espontânea e natural escolha, que ficou assim constituída:

- Venerável Mestre: Ir. Hélio José Lopes
- 1º Vigilante: Ir. Alaor Luiz Varoto
- 2º Vigilante: Ir. Cláudio Roberto Carpi
- Orador: Ir. Sérgio Loma
- Secretário: Ir. Hélio Sergio Pelegrino Junior
- Chanceler: Ir. Luiz Carlos Altem
- Tesoureiro: Ir. José Lustro
- Cobridor: Ir. Diomar Manfrin
Nesse dia em sessão de aprendizes maçons, a Loja Carlos Reis nº 29, seguindo o aspecto legal, os Irs. Fundadores da nova Loja, compareceram aos trabalhos, solicitando o competente Quit Placet.
“No dia 04 de junho de 1987.”
Viajando para São Paulo os Irs. Alaor, Cláudio e Hélio Pelegrino, de posse de toda a documentação necessária para a fundação da Loja, dirigiram-se ao Palácio Maçônico, onde se juntaram ao Ir. Loma, que lá se encontrava. Nesse dia, e antes que dirigirem-se ao Palácio Maçônico, participaram do tradicional almoço das quintas feiras no Restaurante Fuentes, na Rua do Seminário, nº 32, promovido pela Loja Maçônica Perfeita Amizade, contando aí com o irrestrito apoio do Past Grão Mestre Mário Proieti e de todos os Irs. presentes.
No Palácio Maçônico com o Grão Mestre Orfheu Paraventi Sobrinho, discutimos o assunto, entregamos a documentação e recebemos a esperada Carta Constitutiva Provisória.
“Fotografamos o ato com o Grão Mestre Ofheu Paraventi Sobrinho, com o Past Grão Mestre Mário Proieti e oferecemos um garrafão de cachaça ao Grão Mestre, apresentando no rótulo o dístico de nossa Loja, e um lacre na forma de um esquadro e um compasso.”
Na volta de viagem, invadidos por uma inenarrável emoção, e cônscios de nossa responsabilidade, falamos sem parar sobre o ocorrido em nossa viagem.
Estávamos determinados no sentido da fraternidade e solidariedade para com os outros seres humanos engajados num grande empreendimento, para tornar nossa ordem mais forte, mais atuante, em cuja importância e destino acreditamos.
Sentimos que estávamos na Ordem por amor, por atração, não fomos arrastados.
Sabemos que é necessário que alguns batalhem, sofram, construam e acreditem para que muitos sejam felizes.
“No dia 05 de junho de 1987.”
Nossa ultima participação na Loja Carlos Reis.
Convidamos a todos para participarem de nossa inauguração no Templo da Augusta e Respeitável Loja Maçônica Deus, Pátria e Amor nº 8, nossa Avó, que se realizaria no dia 12 de junho de 1987. Oficiamos também as Lojas Maçônicas Restauradora nº 111, Deus, Pátria e Amor nº 8 e Tranquilidade e Esperança.
“No dia 12 de junho de 1987.”
Num clima de grande expectativa, de um entusiasmo confundindo-se com profunda preocupação, inauguramos oficialmente nossa querida Loja Maçônica União Fraternal II nº 314, na presença dos 9 fundadores e de 34 obreiros convidados, que vieram trazer sua solidariedade, apoio e voto de confiança no empreendimento.
Acatando uma ideia do Ir. Alaor, confeccionamos uma cápsula do tempo onde seriam depositados, na 1ª sessão, revistas, jornais, programações do dia, assuntos tratados, cartas de cunhadas e sobrinhos, bem como qualquer tipo de comunicação. Esta cápsula, de forma triangular, feita em zinco, foi confeccionada por nosso Ir. Antônio Carlos Martines Rodrigues, da Loja Dr. Carlos Reis, nº 29, e deverá ser aberta desta data a 25 anos.
Como célula viva do corpo das grandes Lojas do Estado de São Paulo, passamos aos trabalhos normais, sempre contando com o apoio de Irmãos das outras Lojas. Ganhamos corpo, os objetivos foram sendo alcançados, destacando como de relevante importância a primeira iniciação ocorrida no dia 28/11/1987, quando iniciaram os Irs. Ademar Del Dorote, João Eduardo Canhaço, José Carlos Hercole e Luiz Carlos Manfrim.
“Mede-se a Grandeza de Uma Ideia, pela Resistência que Ela Tem.”
Entre a ideia e a obra, percorremos pelos mais diferentes caminhos, enfrentamos as mais variadas diversidades, aborrecimentos, desestímulos; contudo, nossa perseverança foi plena, desgastamo-nos fisicamente, emocionalmente mas, depois de muita luta conseguimos. Ressaltar-se que um grande numero de Irs. de diversas lojas e outras potências manifestaram incondicional apoio e muitos ainda, em silêncio, oraram por nós.
Esta luta somente foi conseguida plenamente, graças a participação e o apoio efetivo de nossas cunhadas, que cerraram fileiras para o êxito desse empreendimento, sem restrições ou cobranças.
Deixamos a nossa gratidão pelo esforço e competência de nossas esposas na formação da Loja Maçônica União Fraternal II nº 314, sem o que, talvez, não estaríamos relatando nossas atividades até esta data.
Obrigado,
Sônia, Regina, Marlene, Tereza, Eli, Maristela, Eliete, Francisca e Ivonete.
Fundadores…
